“No Campo de Girassóis” regressa aos palcos com lançamento de livro e conversa pós-espetáculo
O espetáculo “No Campo de Girassóis”, da companhia Astro Fingido, regressa aos palcos nos dias 28 de fevereiro e 1 de março, promovendo um encontro fértil entre a palavra e a música. Inspirada na tradição oral recolhida pelo Cancioneiro de Paredes, a obra conta com encenação de Fernando Moreira e dramaturgia de Jorge Palinhos, convidando o público a mergulhar numa ruralidade onde a fantasia e a comicidade se entrelaçam com a sabedoria popular e os gestos quotidianos do campo.
A trama desenrola-se a partir da chegada de Teodora, uma jovem vinda da cidade cuja presença inesperada abala o ritmo habitual da aldeia. Sob o mote “Vê-se logo que tu não és cá da terra!”, os habitantes locais começam a girar em torno da recém-chegada, tal como girassóis que buscam o sol. Este encontro serve de ponto de partida para a partilha de memórias e superstições, desvendando um Portugal onde o imaginário popular molda os afetos, como destaca Ângela Marques, intérprete e diretora artística da companhia. Através de uma abordagem farsesca que utiliza a sátira e a caricatura, o espetáculo transforma o medo inicial do desconhecido numa esperança de repovoamento e renovação de um lugar antes votado ao abandono.
A dimensão musical, assinada por Ricardo Fráguas, recupera o património do projeto “A Culturinha sai à rua… para ouvir a Tradição”, da Câmara Municipal de Paredes. Todas as composições serão interpretadas ao vivo, contando com a colaboração especial de alunos do Conservatório de Música de Paredes.
O regresso aos palcos será acompanhado por momentos de extensão cultural. No dia 28 de fevereiro, na Casa da Cultura de Paredes, terá lugar o lançamento do livro “No Campo de Girassóis e Outros Textos”, que reúne três olhares dramatúrgicos sobre a memória e o invisível. Já a sessão de 1 de março, no Auditório do Centro Social de Cête, culminará numa conversa com o artista plástico António Gonçalves e a equipa artística, proporcionando um espaço de reflexão conjunta sobre os temas e os processos de criação desta peça que, segundo Fernando Moreira, é um palco de resistência e reencontro com a verdade da vida rural.

