SOBRE FUTEBOL

Opinião de Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Estamos em pleno Outono (23/9 a 21/12) mas já tem chovido com alguma frequência. No Inverno (22/12 a 19/3) pode chover menos mas a tendência é para que chova ainda mais.

Por estes fins-de-semana, por esses campos de futebol fora, da 1ª Liga aos Distritais, do futebol profissional ao futebol de formação, as condições climatéricas têm colocado os campos de futebol, quer eles sejam relvados naturais, sintéticos ou até mesmo pelados, em condições lastimáveis e, na minha opinião, impraticáveis. A maior parte das vezes a bola não rola, mas nem sempre quando rola devia haver jogo. Nesses casos, e perante chuva torrencial contínua, os jogos realizam-se na mesma. Os atletas quase nunca conseguem jogar e estamos quase sempre perante um jogo de “empurra-a-bola-de-qualquer-jeito”.

Nas leis do jogo não está nada redigido quando a este tema, sendo que está sempre ao critério do árbitro a realização ou não do jogo por estes motivos. As instruções são vagas e apenas no sentido de que o árbitro deve assegurar que haja condições para a realização do jogo.

Sou da opinião que este procedimento devia ser imediatamente revisto. Por várias razões, sendo a mais importante a integridade física dos atletas e logo de seguida a não preservação da qualidade do espectáculo de futebol, se tivermos a falar de alto rendimento, e da impossibilidade de cumprimentos de tarefas e comportamentos, se tivermos a falar de futebol de formação.

O futebol é um desporto de Verão – para quem joga e para quem vê. A bola tem de rolar, mas não basta que role. Tem de ser possível praticar-se o futebol na sua plenitude.

Estou convicto de que na quase totalidade das vezes que não se adiam os jogos é por questões financeiras, mas também não são assim tantas as vezes que acontece numa época desportiva, para que mais pudessem ser adiados e remarcados para novas datas. Estou certo que jogadores, treinadores e adeptos, preferiram o transtorno do jogo não se realizar no dia previsto do que não assistir a um jogo sem condições.

Podia aqui publicar várias fotos dos últimos três fins-de-semana, por este país fora, de como foram jogados alguns jogos, principalmente de futebol de formação, que ninguém acreditava que tinha sido possível a sua realização.

Também é importante não extremar e levar ao limite de quando estiver a chover não se pode jogar futebol – não, não é isso que está em causa. Mas também não me parece razoável que se ande no limite do polo aquático quando falamos de futebol.