Por Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Na qualidade de treinador de futebol, e treinador do clube organizador, o Aliados FC Lordelo, foi uma honra e privilégio ter participado num evento desta natureza, onde se reuniram treinadores de enorme categoria do nosso futebol.

Foram oradores neste 1º Congresso do Aliados, os treinadores: Hugo Silva, José Mota, Fernando Valente, Álvaro Pacheco, Frederico Ricardo, Ivo Vieira, Filipe Ribeiro, Armando Evangelista, Gil Andrade, Ricardo Soares, Rui Quinta e Mauro Silva, os directores desportivos Carlos Carneiro, Zé Nando e Vítor Ribeiro, os presidentes Filipe Carneiro, Paulo Menezes e António Gaspar Dias e os professores José Neto e Pedro Dias. Foram 20 excelentes partilhas de experiências e vivências.

O Aliados conseguiu juntar um leque diversificado de personalidades, desde treinadores experientes e com muitos jogos, a especialistas na área da formação de jovens e outros que estão agora a aparecer e que não tenho dúvidas que serão do melhor que Portugal terá. Ouvir também directores desportivos e presidentes sem receios de dizer como contratam e se relacionam com os treinadores é algo diferente e que o público não está habituado. Esta foi uma diferenciação dos habituais Congressos e acções de formação.

Conforme estabelecido pela Lei nº 40/2012 em conjugação com a Portaria nº 326/2013, o Título Profissional de Treinador de Desporto tem a validade de 5 anos, podendo ser renovado por igual período, desde que sejam obtidas 10 unidades de crédito em acções de formação contínua certificadas pelo IPDJ. Cada unidade de crédito corresponde a 5h de formação presencial ou 10h de formação à distância. O que quer dizer que os treinadores precisam de 50 horas presenciais a cada 5 anos para renovarem o título.

Por curiosidade, cada um dos 4 graus do curso de treinador, definidos no Plano Nacional de Formação de Treinadores, contemplam 3 componentes: geral, específica e estágio. Em cada um dos graus os treinadores têm que cumprir, na totalidade cerca de 4.836 horas de formação (grau I: 42h geral, 40h específica, 600h estágio; grau II: 62h geral, 60h específica; 800h estágio; grau III: 92h geral, 90h específica, 1100h estágio; e grau IV: 125h geral, 135h específica e 1500h estágio).

Mas oportunidades como estas será que devem ser frequentadas pelos treinadores apenas pela obrigatoriedade de renovação do TPTD ou essencialmente pela possibilidade de ouvirem e aprenderem com os outros colegas de “profissão”?! Ter treinadores deste calibre a expor, sem rodeios, o que fazem nos seus clubes, nas suas carreiras, não é comum. Além disso, os intervalos e refeições são momentos interessantes para aprendermos também com outros colegas formandos. Oportunidades a não desperdiçar. Juntar a tudo isto (e aos contactos que dali advêm), os tais créditos para renovação da cédula, é a cereja no topo do bolo.

Que venham mais. Muitos mais. E se possível que os treinadores estejam sempre disponíveis para partilharem tudo de forma descomplexada como estes senhores o fizeram. Ficamos todos mais ricos e agradecidos.