Opinião – Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV) , Licenciado em Gestão de Desporto

O futebol é um negócio. Ponto. Nos dias de hoje ninguém acredita noutra coisa. E os clubes profissionais vivem das transferências dos jogadores para continuarem com equipas competitivas. Mas será que o assunto é tão redutor?

Serão só os clubes vendedores que precisam que as transferências se realizem para encaixarem receitas? Claro que não. Agentes, intermediários e comissionistas, todos trabalham para que elas aconteçam.

E os adeptos o que querem? Que os seus clubes sejam os reis das transferências, que fiquem com recordes por vender jogadores por 120 milhões, por vender defesas por 50 milhões, por terem o maior encaixe dos últimos 10 anos ou por serem campeões? Os adeptos do Porto, Benfica e Sporting querem ganhar títulos nacionais e lutar pela Champions ou querem que os seus clubes sejam tidos como grandes vendedores, como recordistas de vendas?

Clubes como os 3 grandes de Portugal, se fossem capazes de reter o talento que têm em casa até mais tarde, imaginemos bem que equipas podiam ter. Não é preciso olhar muito para trás, apenas jovens formados nas suas “casas” nos últimos 5 anos. É certo que mais cedo ou mais tarde os próprios jogadores iriam atingir um nível que os portugueses não podiam segurar pelos salários e os atletas também iriam almejar mais desportivamente, como jogar no Barcelona, Real Madrid, Manchester United e City, Liverpool, Bayern Munique, Juventus, entre outros.

Mas a vender, que fosse sempre mais tarde do que mais cedo. Ainda se recordam que Bernardo Silva saiu do Benfica por 15 milhões de euros sem ter jogado na equipa principal? Hoje é uma das figuras da Seleção Nacional Portuguesa e dos ingleses do Manchester City. Por este andar, candidato a melhor do mundo quando Cristiano Ronaldo e Messi se retirarem.

Olhando para os talentos dos 3 grandes, ora vejamos a quantidade de jogadores portugueses que passaram pelos clubes nos últimos anos, nascidos de 1993 em diante, por exemplo:

Porto: José Sá (1993), Diogo Costa (1999), Ricardo Pereira (1993), Diogo Dalot (1999), Tomás Esteves (2002), Jorge Fernandes (1997), Diogo Queirós (1999), Diogo Leite (1999), Rafa Soares (1995), Ruben Neves (1997), Romário Baró (2000), Diogo Jota (1996), Gonçalo Paciência (1994), André Silva (1995), Rui Pedro (1998) e Fábio Silva (2002);

Benfica: Nelson Semedo (1993), João Cancelo (1994), Alex Pinto (1998), Ferro (1997), Ruben Dias (1997), Yuri Ribeiro (1997), Nuno Tavares (2000), Renato Sanches (1997), André Horta (1996), João Carvalho (1997), Pêpê Rodrigues (1997), Florentino (1999), Gedson (1999), Chiquinho (1995), Nelson Oliveira (1991), Gonçalo Guedes (1996), Helder Costa (1994), Nuno Santos (1995), Diogo Gonçalves (1997), José Gomes (1999), Jota (1999), João Félix (1999) e Bernardo Silva (1994);

Sporting: Luis Maximiano (1999), Diogo Sousa (1998), Thierry Correia (1999), Abdu Conté (1998), Tiago Djaló (2000), Ruben Semedo (1994), Domingo Duarte (1995), João Mário (1993), João Palhinha (1995), Francisco Geraldes (1995), Ricardo Esgaio (1993), Iuri Medeiros (1994), Gelson Martins (1995), Daniel Podence (1995), Carlos Mané (1994), Rafael Leão (1999) e Daniel Bragança (1999);

É certo que nenhum plantel pode ser apenas constituído por jogadores saídos da formação. Para o seu crescimento e desenvolvimento é necessário trazer um ou outro estrangeiro de topo e até portugueses com outra maturação, mas aqui o que se reflecte é sobre a retenção dos talentos até ao limite do possível.

Eu gostava de ver.

Juvenal Brandão

Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV)

Licenciado em Gestão de Desporto