Última Assembleia Municipal marcada pela saída do CDS e pela despedida de Batista Pereira
por Ricardo Leal
A Assembleia Municipal de Paredes reuniu-se no passado dia 26 de setembro, naquela que foi a última sessão do mandato 2021-2025. A reunião ficou marcada por dois momentos distintos: a saída da bancada do CDS-PP, após um incidente durante a sessão, e a despedida de José Batista Pereira, que cessou funções como presidente da Assembleia Municipal, cargo que exerceu ao longo dos últimos anos.
O ambiente aqueceu quando José Miguel Garcês, deputado municipal do CDS-PP, acusou elementos da bancada socialista, em particular o Vereador Elias Barros, de o terem interrompido e insultado durante a sua intervenção. O centrista criticou ainda a atuação do Vice-Presidente da Câmara, Paulo Silva, por alegadamente tentar condicionar a condução dos trabalhos.
Face ao episódio, o CDS-PP decidiu abandonar a reunião. Em declarações, José Miguel Garcês defendeu que se tratou de “uma violação das regras que devem presidir ao funcionamento de um órgão autárquico e de um atentado ao princípio fundamental da liberdade de expressão”. O deputado anunciou ainda a intenção de apresentar queixa às entidades competentes, assegurando que não deixará de “manter-se firme na defesa da verdade, da transparência e do direito de todos os eleitos se expressarem livremente”.
Sobre este episódio, Batista Pereira considerou que a saída da bancada centrista “não era necessária”, recordando que os líderes parlamentares tinham acordado previamente que, por se tratar de uma assembleia em período pré-eleitoral, os deputados não deveriam fazer intervenções que pudessem ser entendidas como propaganda. Segundo o presidente cessante, o CDS insistiu em contornar esse entendimento, o que acabou por originar o conflito.
Para Batista Pereira, a sessão teve ainda um significado especial. Em declarações ao jornal Progresso de Paredes, o socialista fez um balanço positivo do seu percurso, sublinhando que procurou sempre assegurar a neutralidade e o equilíbrio dos trabalhos: “A Assembleia Municipal é a casa da democracia, o único órgão que representa diretamente a população. O meu papel foi garantir a ordem, coordenar os trabalhos e permitir que todos os eleitos tivessem voz.”
Entre as inovações que introduziu ao longo dos anos, destacou a votação eletrónica e a reorganização logística das sessões, medidas que, segundo o próprio, contribuíram para maior eficiência e transparência.
Sobre o futuro, deixou um conselho ao próximo Presidente: “Que estude a legislação e dê continuidade ao espírito democrático da Assembleia. Desejo sinceramente que seja melhor do que eu.”
