O recém-nascido e a família foi o tema central das I Jornadas de Neonatologia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que, na passada sexta-feira, reuniu cerca de 200 profissionais de saúde no auditório do Hospital Padre Américo, em Penafiel.

Na abertura da sessão de trabalho, Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração do CHTS salientou “a dedicação e vitalidade destes profissionais, numa região com bastantes nascimentos, para realizar estas jornadas de troca de experiências e conhecimentos que em muito favorecem a nossa população”.

Eduardo Sá, psicólogo clínico e autor de livros de divulgação sobre saúde familiar e educação parental, falou sobre a “Vinculação no Período Neonatal”, começando por referir que, atualmente, usa-se a palavra ‘vinculação’ em detrimento da palavra ‘amor’. “Nos serviços de saúde, fala-se da sexualidade e da maternidade de uma forma absurdamente técnica. Há um certo pudor em usar a palavra ‘amor’.”

“A vinculação entre a mãe e o bebé começa a partir do 5º ou 6º mês de gestação, quando a mulher percebe os movimentos e reações do bebé. Mas a gravidez nem sempre é um estado de graça como querem fazer parecer, há mulheres ‘partidas ao meio’ e é importante que as mães e os pais possam falar isso, sobre esses medos e ansiedades. Só assim é possível fomentar a vinculação entre os pais e os bebés”, acrescentou o psicólogo.

No âmbito do desenvolvimento infantil, a oradora convidada foi Júlia Guimarães, pediatra com reconhecido trabalho na área clínica e de investigação do Desenvolvimento Psicomotor Infantil, com o tema “Primeiro ano – Intervenção / Afetos”. Para a especialista, “as mulheres são mães cada vez mais tarde, os filhos são mais planeados e as expetativas em relação aos filhos são muitas.”

“Estas mães têm acesso a mais informação e o excesso de informação retira-lhes a espontaneidade, criando ansiedades e medos, não deixando, assim, as crianças serem crianças. Isto prejudica o desenvolvimento psicomotor da criança,” concluiu Júlia Guimarães.

O programa das jornadas contou ainda com profissionais do CHTS como oradores que, dividindo-se por quatro mesas, abordaram temas como o “Apoio ao bebé prematuro”; “Gemelaridade – várias perspetivas”; “Desenvolvimento do recém-nascido e lactente” e “Particularidades do exame físico do recém-nascido normal”.

No tema “Apoio ao bebé prematuro”, foi apresentada a evolução do “Crescer com Afetos”, projeto de apoio à parentalidade criado, em 2015, com o propósito de humanizar ainda mais os cuidados na Unidade de Neonatologia do CHTS.