SOBRE FUTEBOL

Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) lançou no início de Agosto deste ano o seu próprio canal televisivo (Canal 11) com o objectivo de divulgar e promover as suas modalidades, os seus campeonatos, as selecções nacionais e tudo o que tem menos atenção mediática.

Daí para cá, passaram a ser televisionados, entre outros, mas em especial:

– torneios e fases de qualificação das selecções jovens, dos sub-15 aos sub21;

– torneios e fases finais de grandes competições de futebol de praia;

– o campeonato nacional de futsal;

– o futebol feminino;

– o Flamengo de Jorge Jesus (campeão brasileiro e da América do Sul);

– a Liga Revelação (sub-23);

– e a 1ª Divisão Nacional de Juniores A (sub-19), por exemplo.

Mas, nesta nova época, quem tem tido enorme destaque e várias transmissões por jornada é o Campeonato de Portugal. A terceira competição de futebol masculino mais importante do país, aquela que é a principal competição organizada pela FPF, está a ter amplo destaque. E bem. Cerca de 50 jogos das 4 séries do campeonato já foram transmitidos ao longo das 14 jornadas já jogadas.

Não raras vezes se tem discutido o estado do futebol português. Nomeadamente da 1ª Liga – no que toca à presença de espectadores nos estádios, associado ao preço dos bilhetes, à qualidade dos jogos e às transmissões televisivas. Há quem defenda que as transmissões televisivas, espalhadas entre as sextas-feiras e as segundas, além de deixarem os adeptos mais cómodos no sofá, retiram-lhes o prazer de ver os jogos “in loco”, nos tradicionais horários dos sábados ou domingos à tarde. Mas o poder do dinheiro, encaixado pela compra dos direitos televisivos, a isso obriga. Por isso, os adeptos já se conformaram com estas rotinas dos horários do futebol.

No entanto, esta entrada em cena do Canal 11 e a respectiva transmissão dos jogos do Campeonato de Portugal gerou frenesim e contentamento geral. Só que, com o passar do tempo, já se começam a ouvir vozes contrárias, nomeadamente dos clubes. Além das transmissões não gerarem receitas aos emblemas em causa, há quem diga que há menos gente nos jogos televisionados, essencialmente porque também já se jogam fora de horas. Não raras vezes, esses jogos disputam-se à sexta-feira à noite, aos domingos às 11:45, às 18:30, às 20:30 e aos sábados às 19:00, por exemplo.

É um caso sério de reflexão. Porque, se afinal, se pensa que a transmissão dá visibilidade aos clubes, aos jogadores, aos treinadores e aos árbitros, não é menos verdade que para já não há receitas de transmissões e os clubes já se vão queixando da falta de receita de bilheteira por causa destes novos horários – numa altura em que já se fala de mais de 15 em 72 clubes com 2 e 3 meses de salários em atraso (sendo que pelo menos 2 deles já são públicos).

Afinal, no Campeonato de Portugal, como na 1ª Liga, é tudo igual – as televisões mandam!