António Orlando – texto


 

A Comissão Política Distrital do PSD do Porto pode estar a horas de passar a ser liderada por um social-democrata vizinho de Paredes. Alberto Santos, ex-presidente da Câmara de Penafiel, apresenta-se a votos com o firme propósito de estancar a hemorragia eleitoral do PSD que lhe fez perder várias Câmaras.  A de Paredes foi uma delas. Os outros candidatos são Alberto Machado e Rui Nunes.

Progresso de Paredes (PP) – O que o faz candidatar à liderança da Comissão Política Distrital do Partido Social Democrata?

Alberto Santos (AS) –  Desde logo porque me considero um cidadão livre, um militante do PSD livre, sem qualquer agenda própria, sem amarras e confiante do momento difícil que o partido atravessa quer a nível Nacional, mas sobretudo preocupa-me o momento que atravessamos no distrito do Porto. Temos vindo numa espiral negativa de perda acentuada da nossa representação nos vários concelhos e sobretudo nos resultados eleitorais autárquicos em que eleição após eleição verificamos uma redução de apoio por parte dos eleitores. É preciso tomar a iniciativa, é preciso uma nova liderança, uma nova missão, trazer novas propostas, fazer uma ligação mais próxima não só aos militantes, mas sobretudo à sociedade civil. Ouvir as preocupações das pessoas. Acho que com a experiência que consegui granjear ao longo de 25 anos na vida autárquica tenho argumentos de como lidar com este tipo de temáticas nomeadamente com as questões de proximidade das populações, com entendimento das suas necessidades e com algumas formas para se poder ganhar as eleições.

 

PP – No seu entender o que é que contribui para esta espiral negativa que diz estar a acontecer no PSD a nível autárquico, e o que propõe fazer que ainda não foi feito?

AS – Acho que há várias razões. Uma delas é que o partido não tem sido capaz de ouvir os militantes, ouvir as suas preocupações que foram levantadas ao longo do tempo e também não soube ouvir a sociedade civil. O PSD não foi capaz de entender as dinâmicas que se estavam a gerar na sociedade e que, no fundo, estavam a gerar-se no sentido contrário àqueles que eram os objetivos do PSD, em muito concelhos isso foi muito patente.

 

PP – Como se faz? Saindo do gabinete?

AS – Sim, só é possível tendo o PSD na rua, ou seja, tendo a distrital na rua através da direção distrital, dos seus deputados com a articulação com as comissões políticas concelhias. O PSD tem de ser o porta-voz das preocupações das populações, identificarmos os problemas de gestão que existe em cada concelho e apresentarmos propostas diferentes. Temos que rapidamente de ganhar esse caminho.

 

PP – Esta erosão do PSD não será alheia à governação de Pedro Passos Coelho onde a palavra austeridade ganhou um novo relevo na vida pública.  O país real, nesta altura, já está mais recetivo às propostas do PSD?

AS – É possível que o PSD que foi chamado para governar o país e a tirá-lo da bancarrota tenha deixado algumas marcas, mas não foi só por isso que perdemos algumas câmaras. Como disse, isto é uma espiral negativa que já vem de alguns anos. Esta é uma análise e uma reflexão que temos de fazer com uma seriedade. Já tivemos um PSD em crise e conseguimos dar a volta por cima (…)

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