José Moreira: “Quero ser a voz que denuncia injustiças e apresenta soluções em Paredes”
por Ricardo Leal
O Jornal “O Progresso de Paredes” prossegue a rubrica “Cadeira do Poder”, uma série de entrevistas dedicada aos candidatos à Câmara Municipal, criada em homenagem ao mobiliário paredense, símbolo maior da identidade local.
Na conversa conduzida por Carla Nunes e Ricardo Leal, o convidado desta edição foi José Moreira, candidato da CDU à Câmara Municipal de Paredes. Licenciado em Sociologia, dirigente associativo e formador, soma ainda experiência autárquica, tendo integrado as listas à Assembleia de Freguesia de Sobreira em 2017 e 2021. Assume agora a candidatura à Câmara motivado pelo que considera ser a urgência de dar voz às populações e de afirmar uma alternativa política consistente no concelho.
No arranque da entrevista, José Moreira sublinhou que a CDU se distingue por colocar o interesse coletivo acima de qualquer benefício individual. “Não estamos aqui para dividendos ou notoriedade. A motivação é simples: garantir que há uma voz que denuncia injustiças e, ao mesmo tempo, aponta soluções”, frisou, recordando a importância da presença do secretário-geral Paulo Raimundo no comício realizado no Parque da Cidade, momento que considera ter reforçado a confiança dos militantes e simpatizantes.
Sobre o tema da água, Moreira subscreve a decisão de municipalizar o serviço, mas deixou uma crítica à política tarifária: “A água continua a ser das mais caras da Área Metropolitana do Porto. Numa das zonas mais pobres do país, não é aceitável que as famílias paguem tanto por um bem essencial.”
Já na habitação, o candidato destacou a necessidade de estender a rede de fogos sociais a mais freguesias. Atualmente, apenas quatro das dezoito freguesias do concelho dispõem desse apoio. “Não acredito que as restantes freguesias sejam habitadas só por pessoas de classe alta. É preciso critérios justos”, defendeu, acrescentando a proposta de incentivar cooperativas de habitação em parceria com associações locais.
Na educação, a CDU propõe reforçar a rede de creches públicas e municipais, parcerias com instituições sociais e refeições escolares gratuitas e de maior qualidade. “Não podemos continuar a privatizar serviços essenciais. A Câmara tem capacidade para assumir essa responsabilidade sem comprometer o orçamento”, garantiu.
Em relação à mobilidade, defendeu a criação de carreiras regulares de transporte público, ajustadas aos horários escolares e laborais. Referiu ainda a urgência de resolver constrangimentos em estradas estreitas, como a principal via da freguesia de Parada, e apontou a construção da nova ponte em Recarei como “obra prioritária e inadiável”.
No plano cultural, elogiou a vitalidade associativa do concelho, mas alertou para critérios de apoio que considera desequilibrados: “Há clubes de futebol que recebem largas verbas, enquanto modalidades como o xadrez são relegadas para segundo plano. É preciso uma distribuição mais justa.”
O Rio Ferreira voltou a estar em destaque. Moreira classificou o estado do curso de água como “uma vergonha” e criticou a demora na execução de projetos de reabilitação prometidos há anos. Defendeu também mais fiscalização a descargas ilegais e a criação de passadiços e zonas de lazer junto aos rios.
Sobre a Avenida da República, questionada a hipótese de voltar a dois sentidos, o candidato rejeitou a ideia: “Seria um golpe no comércio local, que depende do estacionamento disponível. Mantê-la como está é mais vantajoso.”
A juventude, nas palavras de José Moreira, “é um motor fundamental do concelho”, mas o Conselho Municipal da Juventude “existe apenas no papel”. Propõe dar-lhe vida, envolvendo jovens e associações no processo de decisão.
No capítulo social, destacou a insuficiência de respostas para idosos com baixos rendimentos. “Não faz sentido inaugurar lares cujas mensalidades ultrapassam largamente as pensões da maioria. É preciso responsabilizar mais a Segurança Social para que ninguém fique excluído.
A concluir, José Moreira deixou um apelo ao voto, reforçando a confiança nos candidatos da CDU: “São pessoas que as populações conhecem, em quem confiam, que honram a palavra dada e prestam contas. Prometemos trabalho, honestidade e competência. O dia 12 será decisivo para escolher entre mais do mesmo ou uma alternativa séria.”
