2 Maio, 2026

Mário Camilo Mota: Será 2025 o ano da Integridade?

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a opinião de Mário Camilo Mota

Olhar Além das Laranjeiras

 

Esta semana, uma notícia do jornal de assuntos económicos ECO roubou às revistas de assuntos cor-de-rosa a notícia de que a Comissão de Ética e Conduta da Galp está a investigar uma denúncia anónima que revela uma alegada relação amorosa, mantida em segredo, entre o Diretor Executivo da companhia petrolífera, e uma diretora de topo da empresa, que depende hierárquica e diretamente do gestor.

As exigências da empresa cotada em bolsa, com o valor mais significativo da economia do nosso país, decorrem da implementação do seu Código de Conduta, em vigor para evitar conflitos de interesse que levem a decisões que prejudiquem a própria petrolífera em conflitos de facto ou percecionados.

Os temas de Governança (neste caso Corporativa), os conflitos de interesse, os valores e os compromissos de uma empresa passam a ser tão importantes como os resultados, a margem, mais os lucros sustentáveis que dependem também da confiança e credibilidade junto de todos os parceiros, internos e externos. Diria até que é um exemplo de gestão associado à sustentabilidade, à responsabilidade social e à governança dado pelo sector privado para introduzir estes conceitos que à partida deveriam provir do sector público, em regras implementadas à imagem do Regime do Exercício de funções por Titulares de Cargos Públicos.

O mais importante neste assunto não é a história da vida íntima dos protagonistas, mas sim as consequências que uma relação amorosa entre um CEO e uma diretora pode ter no processo de tomada de decisão, de investimentos ou de escolhas de uma empresa. O que está em causa é saber se uma relação próxima e pessoal entre um CEO e uma diretora foi mantida em segredo para igualmente esconder vantagens pessoais dos envolvidos em detrimento de decisões empresariais influenciadas por esse contexto pessoal e não pelo interesse e defesa da empresa.

O órgão independente da Galp que irá investigar essa denúncia anónima é a Comissão de Ética da empresa, que funciona um pouco como um tribunal interno, independente, porque atualmente as grandes empresas são “obrigadas” a manter mecanismos que permitam essas comunicações sem risco de haver represálias. Mas a denúncia, em si mesmo, não prova a existência da relação, menos ainda conflitos de interesse. Por isso, o assunto surge não só porque, já diz o povo:” à mulher de César.. não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

O problema é a que própria Galp definiu um Código de Ética e o próprio CEO aprovou esse mesmo código. E o que diz esse código de ética da Galp: “Um conflito de interesses surge quando os nossos interesses pessoais, sejam eles financeiros, profissionais, familiares, políticos ou outros, ou os interesses de alguém com quem temos um relacionamento próximo, influenciam ou podem ser percecionados como influenciadores do exercício objetivo dos nossos deveres e responsabilidades profissionais”. Influenciar ou percecionar influencia é o ponto mais frágil para o atual CEO da Galp, que agora se demite porque a perceção de influência, seja lá qual for a natureza do relacionamento, teria de ser comunicada à comissão de ética em primeiro lugar e teria de ser escusada ou limitada em qualquer intervenção da Comissão Executiva da Galp para com a Direção a que corresponde.

A Galp faz com que o assunto não seja só jurídico, mas sobretudo que se torne um tema de reputação e de conflitos de interesse. Num país em que o modelo de gestão por “cunha” tem ainda uma grande popularidade, tem uma dimensão subjetiva que as empresas que (por serem grandes) dão o exemplo a todas as outras e não só tragam o assunto para o centro da discussão pública como ainda possam “contaminar” ou “influenciar” positivamente a causa pública.

Em ano de Eleições Autárquicas, fica o exemplo de Filipe Silva, o CEO da Galp que se demitiu. Pode ser um pequeno exemplo de Integridade necessária ao compromisso de todos os que se propõem a servir a causa pública!

Um Bom Ano de 2025 para todos os Colaboradores e Leitores do Progresso de Paredes.