Pedro Silva Sousa: O ano de todas as incertezas
a opinião de Pedro Silva Sousa
Nihil obstat
O ano que agora se inicia pode se definir como o ano de todas as incertezas. Efetivamente, tanto nos planos nacionais como internacionais o cenário é de profundas dúvidas sobre o futuro da nossa visa coletiva.
A reeleição de Donald Trump significa um imenso ponto de interrogação, cujas respostas a montante impactarão a vida dos nossos países. Veja-se a fórmula, quase que mágica, que este parece ter para fazer regressar a paz ao leste europeu. Uma paz pela força, cristalizando no espaço uma agressão ilegítima e beneficiando o infrator, neste caso a Federação Russa que invadiu um país soberano à revelia das mais elementares regras do direito internacional publico. Uma paz nestes moldes mais não é do que o incentivo à infração por parte da Rússia, colocando sob ameaço outros países do leste europeu, os quais fazem parte dos mesmos tratados internacionais do que Portugal, exigindo, em caso de agressão, outra postura do acidente – até porque o Direito assim o determina.
No plano nacional o governo em funções, agora suportado na aprovação do orçamento e no fim do mandato do atual Presidente da Républica, ganhou um pequeno fôlego. No entanto, a sua vertigem securitária (numa tentativa evidente de piscar o olho ao eleitorado do Chega) e um primeiro ano de mandato em que se preocupou mais em distribuir do que em governar, aliada à fragilidade de alguns ministérios, colocam duvidas sérias sobre a capacidade deste executivo sobreviver ao presente ano civil ou, pelo menos, sair dele minimamente fortalecido.
Ainda noutro ponto nacional: não parece, tendo em conta todo o barulho à volta que se tem suscitado à volta da questão das presidenciais (estas só em 2026), mas haverão eleições autárquicas este ano! Eleições estas com grandes pontos de interrogação em grandes câmaras, Lisboa e Porto à cabeça, e para as quais o Partido Socialista parte com a séria ambição de vencer a Associação Nacional Municípios, continuando a ganhar pontos à Aliança Democrática, mantendo, pelo menos, uma tendência de vitória iniciada nas Europeias.
A somar a isso, ocorrem, igualmente, diversos momentos eleitorais em países europeus chave, como o caso da Alemanha já neste início de ano, os quais ameaçam um reforça da extrema-direita nos diversos estados-membros, trazendo ainda mais instabilidade a este pedação de civilização que, entre erros e omissões, ainda é o único que defende a democracia, a liberdade e o estado de Direito como pedras fundamentais à vida dos povos.
Que corra bem.
