SOBRE FUTEBOL

Por Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Nos últimos anos, nomeadamente nos últimos dois, o clima que se instalou no futebol português é tudo menos saudável. É tudo menos futebol. É tudo menos desporto.

Os inúmeros programas televisivos onde os 3 grandes estão sempre representados, são o fósforo que incendeia o ambiente, pela forma cega como as coisas são tratadas, que se alastram para os adeptos. Os estádios continuam vazios porque o medo e a insegurança dos pais levarem as famílias ao futebol é cada vez maior.

Tal como os fanáticos programas televisivos, onde se fala tudo menos de futebol, outra das coisas que veio contribuir para este alarmante estado das coisas foram os directores de comunicação dos 3 grandes e a forma como estes usam as redes sociais para se desculpar dos fracassos desportivos.

A maior parte das vezes, se não todas, os bombos da festa são os árbitros.

Ser árbitro é muito difícil. Nós, treinadores, desempenhamos essa função em todos os treinos e vemos bem quão difícil é; ainda mais será em jogos oficiais, que decidem o futuro de muita gente. Quem só vê futebol na televisão, não entende. Os árbitros devem ser muito bem preparados e muito bem pagos. Sim, muito bem pagos.

Na base, no futebol distrital, as fracas condições que lhes dão e as quotas que os impedem de subir de categoria devem ser os principais motivos de desistirem, de não chegarem ao topo ou de demorarem muito a consegui-lo. Alguns deles até têm de mudar da Associação de Futebol do Porto para a de Vila Real, Guarda, Viseu e Bragança, por exemplo, para ascenderem à categoria Nacional, por ser mais fácil, o que comprova a qualidade dos filiados portuenses. Não consigo entender isto. Por que associado ao nome do árbitro vem o nome da associação a que pertence? A qualidade deve sempre sobrepor-se a qualquer outra condição. Já quando são árbitros de categoria Nacional, as condições melhoram substancialmente e há até já quem opte por ser árbitro profissional, a tempo inteiro.

No entanto, parece-me que há factores que ainda não evoluíram o necessário, como o caso das avaliações. Percebo que os árbitros tenham que ter provas físicas e escritas (de ingresso ou aptidão), não concebo que as mesmas tenham grande (ou alguma) influência na sua avaliação final. Os árbitros têm que subir, manter-se ou descer de categoria apenas e só por aquilo que fazem dentro do campo. Isso não acontece.

Se no topo acontece, mesmo na base (futebol sénior distrital), os árbitros têm de ser observados em todos os jogos. Os observadores não deviam ser apenas para dar “porrada” nos árbitros, mas acima de tudo para os premiar pelas muitas e muitas excelentes arbitragens. Não se esqueçam que não há futebol sem árbitros. E quanto melhores forem, melhor é o futebol.

As avaliações deviam ser conhecidas semanalmente, deviam ser públicas e deviam contribuir para a clareza do fenómeno. Não devia ser tudo escondido e os próprios árbitros serem surpreendidos perto do final da época com a classificação que vão ter.

P.S.: e acabem (ou deixem de ver) esses programas, porque se eles não tiveram audiência vão acabar, e o futebol portugês vai melhorar muito.