11 Agosto, 2026

SEXUALIDADE SEGURA – Decidir bem começa por saber bem

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“Falar sobre sexualidade não é tabu — é proteção.”

A adolescência e a juventude são fases marcadas pela descoberta, pelo crescimento e pela construção da identidade. Neste percurso, a sexualidade assume um papel importante no desenvolvimento pessoal e relacional. No entanto, viver a sexualidade de forma segura e informada continua a ser um desafio para muitos jovens. As infeções sexualmente transmissíveis (IST) e as gravidezes não planeadas continuam a afetar sobretudo a população mais jovem, num contexto em que o silêncio, os mitos e a desinformação ainda persistem.

O que são as IST — e porque o silêncio é o maior risco

As Infeções Sexualmente Transmissíveis transmitem-se, sobretudo, através de relações sexuais desprotegidas. O maior perigo não está apenas na infeção em si, mas no facto de muitas delas não apresentarem sintomas visíveis, permitindo a sua transmissão sem que a pessoa tenha consciência de que está infetada.

Clamídia, gonorreia, HPV, herpes genital, VIH e sífilis são apenas alguns exemplos de infeções com formas de transmissão diferentes, mas todas evitáveis através de comportamentos sexuais seguros.

O conhecimento sobre estas infeções não deve gerar medo, mas sim responsabilidade. Saber é a primeira forma de proteção.
Como se proteger — o preservativo continua a ser a melhor barreira

O preservativo continua a ser o único método que protege simultaneamente de infeções sexualmente transmissíveis e de gravidez não planeada. A sua eficácia depende, sobretudo, da utilização correta e consistente, em todas as relações sexuais.

✅ FAZ

✓ Usar preservativo em todas as relações sexuais.
✓ Verificar sempre o prazo de validade e a integridade da embalagem.
✓ Vacinar-se contra o HPV — disponível gratuitamente no Programa Nacional de Vacinação.
✓ Fazer testes de rastreio regularmente, sobretudo havendo novos parceiros.

❌ NUNCA
✗ Reutilizar o preservativo.
✗ Usar dois preservativos em simultâneo — aumenta o risco de rotura.
✗ Usar lubrificantes oleosos com preservativos de látex.
✗ Assumir que a ausência de sintomas significa ausência de infeção.

Onde procurar ajuda — sem vergonha, sem julgamento

Procurar informação ou fazer um teste de rastreio não é motivo de vergonha — é, pelo contrário, um ato de responsabilidade e de cuidado, com a própria saúde e com a saúde de quem se ama.

• Centro de Saúde: Consulta de planeamento familiar ou consulta aberta com Médico e/ou
Enfermeiro de Família;
• Gabinete de Informação de Apoio ao Aluno: junto da Enfermeira de Saúde Escolar;
• Sexualidade em linha (800 222 003): esclarecimento de dúvidas – Horário: dias úteis das 11h às 19h e sábados das 10h às 17h.

PROCURA AJUDA RAPIDAMENTE SE:
• Tiveres feridas, verrugas ou corrimento anormal na zona genital.
• Sentires dor ou ardor ao urinar.
• Tiveres tido uma relação sexual desprotegida e quiseres fazer rastreio.
• Suspeitares de exposição ao VIH (existe profilaxia de emergência até 72h depois).

O papel da Enfermeira de Saúde Escolar

A Enfermeira de Saúde Escolar assume um papel essencial na promoção da saúde sexual e reprodutiva dos jovens, contribuindo para o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e competências que favorecem escolhas seguras e responsáveis. Através de ações de educação para a saúde, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento próximo dos alunos, promove a literacia em saúde, combate mitos e preconceitos e facilita o acesso a informação credível e baseada na evidência científica. Neste contexto, a escola constitui um espaço privilegiado para a promoção da saúde, da prevenção e do bem-estar dos jovens.

Decidir com responsabilidade

Ter uma vida sexual é uma escolha pessoal e legítima. Ter uma vida sexual segura é, sobretudo, uma escolha de maturidade e respeito — por si próprio e pelo outro.
• Falar abertamente sobre proteção e testes de rastreio com o(a) parceiro(a) reforça a confiança, em vez de
a diminuir.
• Dizer “não” a uma relação sem proteção é um direito — nunca uma falta de confiança.

Cuidar de si próprio é também cuidar de quem se ama.

Uma escolha informada é, quase sempre, a escolha mais segura. E essa informação deve estar acessível a todos, sem juízos de valor e sem tabus — porque a prevenção começa precisamente onde termina o silêncio.

 

Por Sílvia Badim — Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária, Equipa de Saúde Escolar da UCC Paredes Rebordosa, ULSTS