Vintage for a Cause: O projeto da paredense que transforma vidas
A moda sustentável tem vindo a ganhar força como uma alternativa criativa e consciente num mundo onde o consumo desenfreado domina. Mas, para Helena Antónia Silva, criadora do “Vintage for a Cause” (VFC), a moda pode ir ainda mais longe, sendo uma ferramenta para transformar vidas. Numa conversa com o nosso jornal, Helena partilhou connosco o que motivou a criação deste projeto, os seus valores e os impactos que deseja alcançar ao capacitar mulheres acima dos 50 anos.
“O Vintage for a Cause” nasceu de uma necessidade que percebi durante uma pós-graduação em empreendedorismo e inovação social”, começa por explicar Helena. “Foi criado como resposta ao isolamento e à exclusão social que muitas mulheres enfrentam após deixarem a vida ativa. A reutilização têxtil foi o ponto de partida, algo inspirado pela minha infância, onde cresci a usar roupa transformada pela minha mãe, que era costureira.” O foco do VFC são mulheres acima dos 50 anos, um grupo que, segundo Helena, enfrenta desafios únicos. “Envelhecer como mulher é enfrentar uma dupla discriminação: de género e de idade. Queremos quebrar esses ciclos e mostrar que a idade não é um limite, mas sim um ponto de partida para novas possibilidades.”
No coração do projeto está o conceito de upcycling, que transforma excedentes têxteis ou desperdícios pós-consumo em peças únicas de alta qualidade. “Assim como revalorizamos tecidos que poderiam ser descartados, acreditamos no potencial de revalorização destas mulheres. Queremos dar-lhes novas competências, restaurar a autoestima e promover o consumo consciente”, explica Helena.
Além disso, o VFC ajuda a reforçar as redes de apoio destas mulheres, oferecendo-lhes um espaço para colaborarem e partilharem experiências. “A maioria delas cresceu com hábitos de consumo consciente, por necessidade. Agora, mostramos-lhes como podem usar essas práticas no contexto atual, educando as gerações mais jovens para modelos mais sustentáveis.”
As peças criadas pelo VFC são fruto de um processo colaborativo baseado nos princípios do eco-design. “Compramos excedentes têxteis ao quilo a parceiros industriais no norte de Portugal. Estes tecidos são analisados, transformados e utilizados para criar designs únicos, produzidos pelas costureiras que formamos nos nossos programas de capacitação”, detalha Helena.
Leia a reportagem completa na edição do jornal “O Progresso de Paredes”, do dia 13 de dezembro de 2024, edição nº3598.
